10/6/2009 - Projeto de Lei institui piso salarial para farmacêuticos
Projeto de Lei institui piso salarial para farmacêuticos
Pelo jornalista Aloísio Brandão, Assessor
de Imprensa do CFF.
Brasília, 10.06.09 - O Deputado Federal Mauro
Nazif (PSB-RO) apresentou, no dia 04.06.09, à Mesa da Câmara, Projeto de Lei
(PL) que institui o piso salarial nacional para os farmacêuticos, quaisquer que
sejam as suas atividades e segmentos de atuação. O piso fixado na matéria é
equivalente a dez salários mínimos, ou seja, R$ 4.650,00, em valores de maio de
2009. A elaboração do PL contou com a participação do Conselho Federal de
Farmácia (CFF).
“Não é possível que um profissional que ficou
de quatro a cinco anos na graduação – e muitos ainda passam dois ou mais anos na
pós graduação, pois precisam qualificar-se, permanentemente – , e que é
comprometido com a saúde, tenha que desenvolver três ou mais atividades
estressantes para, no final, ter uma remuneração que mal dá para cobrir as suas
despesas”, argumentou o parlamentar, que é médico, em entrevista ao “Site do
CFF”.
O Projeto de Lei do Deputado Mauro Nazif
evoca a legislação trabalhista brasileira, que determina uma série de garantias
de remuneração devida aos trabalhadores. Na Constituição Federal, a proteção
está prevista no Artigo 7°: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,
além de outros que visem à melhoria de sua condição social: V – piso salarial
proporcional à extensão e à complexidade do trabalho”.
ARGUMENTAÇÃO – Mauro Nazif argumenta que
profissionais de várias atividades, principalmente as relacionadas à saúde, além
de uma carga horária elevada, acumulam mais de um emprego, com o objetivo de
conseguir uma remuneração digna. “Mesmo assim, em muitos casos, esse objetivo
não é alcançado”, denuncia.
Diz, ainda, que a jornada de trabalho
desgastante, associada ao estresse gerado pelos deslocamentos entre os diversos
locais onde prestam serviços, compromete irremediavelmente tanto a saúde do
profissional, quanto a qualidade do atendimento ao paciente. “Isso acaba
prejudicando a totalidade da população que, a cada dia, tem seu sofrimento
aumentado com a deterioração do sistema de saúde do País”, explica o Deputado
por Rondônia.
O parlamentar entende que a fixação do piso
salarial, por lei, torna-se crucial para o bom desempenho de determinadas
atividades, à medida que dará melhores condições de trabalho aos profissionais
que, percebendo uma remuneração condizente com suas responsabilidades, poderão
exercer o ofício em apenas um estabelecimento. O valor do piso, fixado em R$
4.650,00 (valores de maio de 2009), tem origem, segundo o Deputado Mauro Nazif,
em estudos e informações que levantou junto a farmacêuticos e ao CFF.
PARTICIPAÇÃO DO CFF – A elaboração do Projeto
de Lei de autoria do Deputado Mauro Nazif contou com a participação do
Presidente e da Diretora Secretária-Geral do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo
de Souza Santos e Lérida Vieira, além do Consultor Jurídico do órgão, Antônio
César Cavalcanti Júnior. O parlamentar pelo PSB de Rondônia elogiou a atuação do
CFF: “Tenho que enaltecer a bonita luta do Conselho Federal de Farmácia, aqui no
Congresso Nacional, em favor da criação do piso salarial para os farmacêuticos”,
concluiu Nazif.
COMO NUNCA SE FEZ – O Presidente do CFF
destacou que o órgão vem fazendo em favor da profissão farmacêutica, nos últimos
dez anos, aquilo que nunca se fez, em toda a história da Farmácia. “Vale
salientar que, além das atividades fim, previstas em lei, o CFF incorporou
outras lutas, inclusive as que não são de sua alçada. Uma delas é a de apoiar
iniciativas, como o Projeto de Lei que institui o piso salarial para os
farmacêuticos de cuja elaboração nós participamos”, declarou Souza Santos.
O Presidente do CFF chamou a atenção para as
discrepâncias regionais relacionadas ao piso salarial. “Há lugares, em que o
piso é de R$ 1.200,00. Ora, isso não dá para ninguém viver, dignamente”,
censurou Souza Santos. Em outros Estados, o piso passa dos R$ 2.500,00. Dr.
Jaldo fez questão, no entanto, de citar que há farmacêuticos, como os peritos
criminais, que percebem salários acima de R$ 10.000,00.
A Diretora Secretária-Geral do CFF, Léria Vieira,
ressaltou o enorme esforço dos farmacêuticos em buscar obstinadamente a
excelência profissional. “Eles se atualizam técnica e cientificamente, buscam
conhecimentos múltiplos, tudo com o objetivo de servir melhor a população. Por
conseguinte, não podem receber salários aviltantes”, explicou Dra. Lérida
Vieira.
Garantiu que os farmacêuticos querem servir
bem. “E servir bem significa acumular conhecimento e qualificação, o que
representa valores que devem resultar em boa remuneração. Por isso, o piso é
louvável: ele reduz as desigualdades salariais regionais, resgata a dignidade
dos profissionais e propicia que eles invistam mais ainda em qualificação”,
concluiu.
Aloísio Brandão(CFF)
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