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11/6/2010 - Controle de 50% do PIB mundial pelas múltis coloca em xeque a democracia, diz Pochmann

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apontou que os direitos trabalhistas não são empecilho para a criação de novos empregos com carteira assinada e que o aumento do salário mínimo ajudou a impulsionar a economia. “Há 10 anos, quando se falava em aumentar o salário mínimo, diziam que teríamos uma inflação mais alta, a quebra das microempresas e um déficit previdenciário. Mas, depois da ousadia do governo Lula, que encontrou uma forma de reajustar o mínimo, justamente em um período recessivo, com políticas de transferência de renda, percebeu-se que o salário mínimo não impacta na inflação. Tivemos melhorias no mercado de trabalho brasileiro, programas sociais, redução das desigualdades, incremento e ampliação no salário mínimo. O crédito melhorou e há recuperação do volume de gastos sociais. Todos esses fatores permitiram que o país voltasse a ter mobilidade social ascendente em grande escala, o que não ocorreu durante a década de 90”. Sobre os pré-candidatos à Presidência da República, Pochmann avaliou, em entrevista ao jornal virtual Sul 21, que “é evidente que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff (PT), defende a continuidade do governo atual. E, se formos comparar, em 2002 o pré-candidato José Serra (PSDB) não utilizava o mesmo discurso. Ele inclusive falava que seria um ‘continuísmo sem continuidade’. Os argumentos dele hoje, no que se refere ao debate na economia, são declarações vazias e apenas críticas ao modelo atual”. Para o economista, “o mundo ainda vive o mesmo modelo de desgovernança anterior à crise”, com as multinacionais controlando metade do PIB mundial. “Temos um descompasso entre o poder das corporações internacionais e os poderes públicos. Depois de alguns séculos de superação do poder das corporações sobre as sociedades, voltamos a viver em um mundo dominado por elas. Hoje, 500 corporações detêm 50% do PIB mundial e colocam em xeque a democracia. Não podemos mais dizer que os países têm empresas, mas são empresas que têm países. Se alguma dessas grandes corporações quebra, ela arrasta consigo os países, como foi o caso do Lehman Brothers”, destacou Pochmann. “Precisamos pensar um novo modelo de governança mundial pública para superar esses elementos”, afirmou.

CUT

 

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