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10/6/2010 - Médicos alertam para influência da indústria farmacêutica

Um grupo de 12 médicos e professores de medicina do Rio Grande do Sul lançou uma campanha para alertar os profissionais da saúde para a influência exercida pela indústria farmacêutica. Apoiada pelo Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul), a campanha Alerta --Amostra Nunca é Grátis, ganhou um site na internet e está sendo divulgada em escolas de medicina, hospitais e congressos médicos do Estado.

O movimento é inspirado na organização britânica There Is No Free Lunch (Não existe almoço grátis). A influência da indústria costuma ser subliminar, não nos damos conta, afirma o intensivista Guilherme Barcellos, 33, diretor do sindicato gaúcho e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar.

Pesquisas
Pesquisas demonstram que, se perguntamos aos médicos se eles sofrem influência, dizem que não. Se a pergunta é Seus colegas costumam ser influenciados?, cresce muito a resposta Sim, afirma Barcellos.

No hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, onde é preceptor, Barcellos dá palestras aos futuros médicos sobre conflitos de interesse e a importância de uma avaliação crítica da literatura científica. A gente foca o trabalho em quem ainda pode mudar a cabeça nessa discussão, afirma o dirigente.

Em 2008, um estudo publicado no Jama (jornal da Associação Médica Americana) mostrou que as atividades de ensino médico tornaram-se dependentes da indústria farmacêutica para sua realização. Atualmente, cerca de 60% dos investimentos em educação continuada provêm da indústria.

Congresso
Outra meta de Barcellos é fazer congressos médicos sem apoio da indústria farmacêutica. Em 2008, ele provou que isso é possível.

Organizou em Gramado (RS) um congresso de medicina hospitalar com despesas custeadas por hospitais, pelo Simers, pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, entre outros. Participaram 600 profissionais, inclusive palestrantes do exterior.

A gente entrava em contato, dizia que queria muito contar com eles, mas que não tínhamos como financiar a vinda deles. A maioria não aceitou, mas outros vieram, financiados pelas instituições onde trabalham ou com seu próprio dinheiro.

Para novembro, Barcellos organiza outro evento sem participação da indústria farmacêutica: o congresso pan-americano de médicos hospitalistas, em Florianópolis.

Entre os apoiadores deste ano está a Mayo Clinic (EUA), cujos hospitais figuram entre as melhores instituições norte-americanas.

Folha SP

 

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