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9/6/2010 - Auto Medicação - Reflexão de um médico

Hoje assistindo programas na televisão, tive a curiosidade de prestar atenção nas propagandas de remédios, principalmente nos comerciais de analgésicos. Se prestarmos atenção aparece sempre, logo após a propaganda aquela telinha azul dizendo: Ao persistir os sintomas, o médico deverá ser consultado; ou também A persistirem os sintomas, o médico, deverá ser consultado. Mas qual é o certo? Se você consultar os professores de gramática, como Pasquale Cipro Neto, faz uma explanação digna de reconhecimento da nossa língua portuguesa, referente ao tema.

A esta altura todos devem ter corrigido a frase desses comerciais de remédios, não é mesmo? Então vai aí um conselho para resolver aquela dor de cabeça e dor de barriga...que não sumiu de modo algum: se apresentar dor de cabeça ou dor de barriga, procure um médico...

A realidade dos medicamentos no Brasil, é uma prática comum na população brasileira. No Brasil na década de 90, cerca de 80 milhões de pessoas são adeptas da automedicação (IVANNISSE VICH,1994). Dados apontam que os medicamentos são responsáveis por 28% dos casos de intoxicação humana no país, sendo os benzo diazepínicos (VALIUM), os medicamentos utilizados para o tratamento dos sintomas da gripe, os antidepressivos e os antiinflamatórios, são as classes de medicamentos que mais intoxicam. (Fundação Oswaldo Cruz, 2006).


A cada 20 segundos um paciente da entrada nos hospitais brasileiros, com quadro de intoxicação provocado pelo uso incorreto de medicamentos. A empurroterapia deveria ser atacada com mais severidade.
Essa pratica é um dos principais fatores para o aumento de vitima por intoxicação no Brasil. Os dados da ANVISA apontam que cerca de 90% dos comerciais de medicamentos apresentam algum tipo de irregularidade. A situação é mais alarmante na publicação direcionada a médicos e farmacêuticos.


De acordo com a OMS, deveria haver uma farmácia para cada grupo de 8 mil habitantes. No Brasil existe uma para cada 3 mil, sem falar na internet e feiras livres.

Para os médicos em geral, qualquer forma de automedicação é reprovável. Todos os países do mundo, independente do seu grau de desenvolvimento, devem adotar meios de garantir o uso racional dos medicamentos, sendo o farmacêutico, o profissional para atender as necessidades dos indivíduos e da sociedade.


É claro meus amigos, que quando envolve dinheiro, em n úmeros expressivos, outros valores são desconsiderados. Para alguns, o valor da saúde, na verdade não importa. Por isso somos obrigados a ouvir e ver na mídia, a mensagem: A persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado...


É lógico que primeiro há um incentivo ao consumo, para depois tentar corrigir, ou seja, procurar um médico. Só no ano de 2004, o orçamento com propagandas das indústrias farmacêuticas, foram gastos R$420.000.000,00 anuais. O médico deve ser consultado, antes de tomar qualquer medicamento. Mas, isso não é de interesse das indústrias, o que interessa é o consumo e também sem controle e sem necessidade.

Alguém já consultou, ou pode consultar o lucro da industria farmacêutica no pais?

Ainda os idosos são as grandes vitimas disso. A população de idosos brasileiros, vem crescendo devido ao aumento da expectativa de vida. O Brasil passou de um perfil de mortalidade típico de uma população jovem para um quadro caracterizado por enfermidades crônicas, tais como: diabetes, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, osteoporose, acidente vascular encefálico, depressão, que exigem um acompanhamento médico e farmacológico constante. (GORDILHO e tal, 2000) Eles sempre podem apresentar comprometimento de mais de um órgão ou sistema, o que faz ser vitimas da polifarmacoterapia.

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Nesse cenário, a automedicação é entendida como prática perigosa para a saúde e representa uma ameaça à saúde pública, resultante do uso incorreto e irracional de medicamentos. E para os idosos, a indicação do medicamento pelo profissional habilitado pode ter resultados positivos na diminuição dos riscos associados a esta prática.

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Contudo, a indicação farmacêutica pode trazer vantagem na orientação e evitar erros na terapêutica e melhorar o sistema de saúde como um todo.


*Médico do PSF do bairro da Cachoeirinha.



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FILIADA A CNPL E CUT

Dr. Luiz Machado*

 

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