2/6/2010 - Governo brasileiro fecha acordo para produzir mais sete medicamentos no país
Com novos contratos e parcerias assinadas em 2009, o Brasil deixará
de importar 21 remédios. Medida vai gerar economia de R$ 170 milhões
anuais à Saúde, aproximadamente
A indústria brasileira
começará a fabricar sete novos medicamentos a partir de parcerias entre
empresas públicas e privadas promovidas pelo Ministério da Saúde. Os
acordos, assinados nesta terça-feira (25) pelo ministro José Gomes
Temporão, em São Paulo, preveêm também reforço na produção nacional do
contraceptivo DIU. Com os novos compromissos, o número de remédios que
deixarão de ser importados pelo Brasil chega a 21 – o que gera economia
de, aproximadamente, R$ 170 milhões ao ano para o governo federal. Em
novembro de 2009, o Ministério havia fechado outras nove parcerias.
Os
produtos – 21 medicamentos e o DIU – são oferecidos gratuitamente à
população pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A compra deles custa, em
média, R$ 850 milhões ao ano. Com o início da produção nacional, a
despesa total será 20% menor aproximadamente. Os remédios que serão
produzidos no país são utilizados no tratamento de Alzheimer, aids,
osteosporose, tuberculose, hemofilia e asma, além de imunossupressores
(para pacientes submetidos a transplantes).
“São parcerias
importantes porque aproximam empresas privadas de produção de
farmoquímicos a laboratórios públicos para a sua formulação final.
Respondem ao conjunto de prioridades e preocupações do ponto de vista
de saúde pública”, afirma o ministro José Gomes Temporão, que ressalta
ainda o impacto da iniciativa na redução de custos para o sistema de
saúde.
Temporão participou da cerimônia de assinatura dos
novos termos de compromissos nesta terça-feira (25) durante a 17ª Feira
Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para
Hospitais, Laboratórios, Clínicas e Consultórios (Feira Hospitalar
2010). O encontro segue até o dia 28 de maio e reúne empresários
brasileiros do setor de saúde. Na ocasião, o ministro também apresentou
a atualização da Portaria Nº 978 de 2008, que define a lista de
produtos considerados estratégicos para o SUS, prioritários para
investimento.
INCENTIVO À INDÚSTRIA – Para o
governo federal, as parcerias entre as empresas públicas e privadas
fortalecem o setor de saúde. “Esta é uma forma de o governo federal
incentivar a indústria nacional de medicamentos e reduzir a dependência
do exterior, além de tornar o produto mais acessível à população”,
destacou o ministro Temporão.
Os termos de compromisso
estabelecem a transferência de tecnologia para a fabricação dos 22
produtos e envolvem oito instituições públicas e 13 privadas. Neste
ano, pelo menos cinco medicamentos já começam a ser fabricados. A
previsão é que, no segundo semestre de 2010, os laboratórios façam as
primeiras entregas do Tenofovir, para tratamento de aids, do
Tracrolimos, usado por pacientes que passaram por transplantes, e de
três anti-psicóticos - Clozapina, Olanzapina e Quetiapina.
Além
de impulsionar a indústria nacional, as parcerias são uma estratégia do
Ministério da Saúde para fortalecer os 19 laboratórios públicos do
país. O governo federal investiu R$ 500 milhões na recuperação e
modernização deles entre 2003 e 2010. Muitos laboratórios estavam
parados e o recurso foi utilizado em reformas, aquisição de
equipamentos e ampliações.
Essas instituições produzem 30 dos
89 fármacos comprados diretamente pelo Ministério para distribuir aos
estados e ao Distrito Federal. São medicamentos destinados ao
tratamento das doenças conhecidas como “negligenciadas” – que atingem
um grande número de pessoas, sobretudo de baixa renda. Além disso,
produzem os medicamentos nacionais fornecidos no programa de HIV/AIDS.
Os
avanços nas negociações entre as empresas e na produção dos remédios
serão acompanhados por um grupo de trabalho criado pelo Ministério da
Saúde em abril deste ano, do qual participam a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária, que é responsável pelo registro dos medicamentos
no país.
PRODUTOS ESTRATÉGICOS - As ações do
governo federal voltadas ao fortalecimento do setor de saúde e para
tornar o Brasil mais independente de importações têm sido debatidas no
GECIS (Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde), que conta com
a participação de diferentes ministérios, órgãos públicos e 22
representantes da sociedade civil. O GECIS está reunido durante a Feira
Hospitalar 2010 e acompanhou a assinatura dos termos de compromissos
entre as empresas e o Ministério da Saúde.
Na ocasião, o
Ministério da Saúde apresentou a atualização da lista de produtos
estratégicos para o SUS publicada na Portaria Nº 978 de 2008. A
primeira versão da portaria já previa a revisão a cada dois anos. “Essa
lista é importante para sinalizar ao setor produtivo e aos órgãos de
fomento de pesquisa quais são os produtos médicos que atendem aos
programas do SUS e que são utilizados no tratamento de doenças que
atingem um grande número de pessoas”, destaca o ministro José Gomes
Temporão.
Em relação aos medicamentos, foram incluídos na
lista produtos cujo custo de compra seja superior a R$ 10 milhões, com
protocolos clínicos novos e adquiridos diretamente pelo Ministério da
Saúde. É o caso do Darunavir, Entecavir, Praziquantel e Antimoniato de
meglumina, remédios para o tratamento de aids, hepatite B,
esquistossomose e leishmaniose, respectivamente. Permanecem na lista
aqueles destinados ao tratamento de doenças negligenciadas, doenças
crônicas, antirretrovirais e de alto valor tecnológico.
Essa
mesma lógica foi utilizada na lista de equipamentos e dispositivos para
o diagnóstico de doenças. Contudo, nesse caso, considerou-se ainda o
uso desses produtos em programas do Ministério da Saúde, como Saúde da
Mulher, Saúde do Homem e Saúde da Pessoa com Deficiência.
Entraram
na lista, por exemplo, aparelhos auditivos e para implante coclear,
conhecido como ouvido biônico por devolver a audição de pessoas surdas.
Na lista de materiais para diagnóstico de doenças entraram produtos que
ajudam a determinar o laudo das doenças negligenciadas, como
tuberculose, dengue, malária, além de hepatites e aids.
Outras informações Atendimento à Imprensa (61) 3315 3580 e 3315 2351
Ministério da Saúde
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