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2/6/2010 - Academia Brasileira de Ciências Debate doenças negligenciadas

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) se reuniu entre 03 e 05 de Maio, em  Reunião Magna de 2010, reunindo cientistas brasileiros de destaque, representantes do governo federal e especialistas internacionais para debater os principais assuntos relativos à prática científica no Brasil. Coordenada pelo Acadêmico Wanderley de Souza, a primeira discussão foi sobre as pesquisas sobre doenças negligenciadas.

A academia precisa estabelecer prioridades nos estudos, ressaltou o secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Gerson Penna, para quem é preciso estimular estudos nessa área. Segundo Penna, algumas doenças, como a leishmaniose, recebem tratamento medieval. Ou seja, são pouco estudadas e o trabalho de prevenção ainda é escasso.

Para seu companheiro de ministério, Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, o governo já tem reagido a esse problema. De acordo com dados apresentados, de 2003 a 2009, foram financiados 517 projetos de pesquisa voltados para o combate a doenças negligenciadas, num total de R$ 127 milhões. Guimarães ainda destacou a formação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), que, apenas do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), receberam R$ 23,3 milhões, e das Redes Malária e Dengue, que, juntas, ganharam R$ 23 milhões.

Já o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Acadêmico Jorge Guimarães, anunciou que a agência lançará dois editais de apoio a pesquisas relacionadas a doenças negligenciadas ainda esta semana. Um na área de bioparasitas e outra na de toxicologia. Os detalhes das chamadas não foram divulgados.

As doenças negligenciadas são aquelas que, apesar da grande incidência em termos mundiais, não são alvo de grandes investimentos em pesquisa, por serem típicas dos países mais pobres do mundo. É o caso da malária, leishmaniose, febre amarela e tuberculose, entre outras. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, apenas 1,3% dos medicamentos surgidos entre 1974 e 2004 tinham esses males como alvo.

Acad. Br. Ciências

 

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