A Academia Brasileira de Ciências (ABC) se reuniu entre 03 e 05 de Maio, em Reunião Magna de 2010, reunindo cientistas brasileiros de destaque, representantes do
governo federal e especialistas internacionais para debater os
principais assuntos relativos à prática científica no Brasil.
Coordenada pelo Acadêmico
Wanderley de Souza, a primeira discussão foi sobre as pesquisas sobre doenças negligenciadas.
A academia precisa estabelecer prioridades nos estudos, ressaltou o
secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Gerson
Penna, para quem é preciso estimular estudos nessa área. Segundo Penna,
algumas doenças, como a leishmaniose, recebem tratamento medieval. Ou
seja, são pouco estudadas e o trabalho de prevenção ainda é escasso.
Para seu companheiro de ministério, Reinaldo Guimarães, secretário de
Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, o governo já tem reagido a
esse problema. De acordo com dados apresentados, de 2003 a 2009, foram
financiados 517 projetos de pesquisa voltados para o combate a doenças
negligenciadas, num total de R$ 127 milhões. Guimarães ainda destacou a
formação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), que,
apenas do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), receberam R$ 23,3 milhões, e das Redes
Malária e Dengue, que, juntas, ganharam R$ 23 milhões.
Já o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Acadêmico
Jorge Guimarães,
anunciou que a agência lançará dois editais de apoio a pesquisas
relacionadas a doenças negligenciadas ainda esta semana. Um na área de
bioparasitas e outra na de toxicologia. Os detalhes das chamadas não
foram divulgados.
As doenças negligenciadas são aquelas que,
apesar da grande incidência em termos mundiais, não são alvo de grandes
investimentos em pesquisa, por serem típicas dos países mais pobres do
mundo. É o caso da malária, leishmaniose, febre amarela e tuberculose,
entre outras. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, apenas 1,3%
dos medicamentos surgidos entre 1974 e 2004 tinham esses males como
alvo.